terça-feira, 25 de novembro de 2008

Ser ou trabalhar



Minha vida é contemplar.
Reconheço o céu e suas nuvens.
As plantas e suas flores.
O universo e suas galáxias.
Do micro ao macro,
Deixei minha mente devanear.


A partir disso,
Vem a necessidade de exprimir.
Mas sempre me preocupei tanto em enxergar,
Que o fazer foi esquecido.

Não consigo ser poeta,
Nem artista, o que sempre quis.
Falta dedicação a mim.
Todo esse tempo somente a apreciar,
Limitou meu expressar.
Agora só consigo lamentar.

Voltar atrás? Impossível.
E nem sei se quero,
Porque tudo que sou hoje,
Devo ao que contemplei.

Apenas sofro,
Quando choro ao ver, num dia chuvoso,
Um rachar amarelo entre as nuvens,
Me mostrando a imensidão azul...
E depois não saber o que fazer com esse chorar.
Escrever torto é o máximo que consigo.

O mundo quer que eu trabalhe, estude...
Fico perdido.
Pois tudo o que leio
Parece um buscar do reflexo da lua
Em uma água turva.
Sem saber que basta olhar acima.

Só o misticismo me interessa,
Mas não há faculdade para isso.
Preciso de dinheiro, fazer o quê.